sexta-feira, 29 de abril de 2016

Desconexo



Em um único dia, sob três formas de amar, houveram tantos desencontros que me senti nua de sentimentos.

Dentro de uma sala com cinco conhecidos, senti a ausência de todos eles, pois de certa forma refletia na minha.

Eu os via mas não enxergava. Não nos conectamos. Saí de lá como se nunca tivesse entrado.

Tão logo veio à mente uma lembrança de igual melancolia, quando me mostrei presente a alguém ausente. Não seria como percorrer uma rua sem saída, mas sim cair em um buraco sem fundo, estender a mão a quem mostra-se indiferente ao toque. Desprovido de sentidos...

- Não se apresente. Diz ele, virando as costas para o contato.

A terceira chance perdi, devido à minha inabilidade em lidar com aquilo que sempre quis ter...

Voltava de trem e dentre todos aqueles desconhecidos, uma presença amistosa me avistou.

Me olhava como se me visse, me enxergava como se possuísse o dom da visão em meio à cegueira social.

Não perguntei seu nome, nem de onde vinha.

Quando parti, me disse:

- Bom regresso.


Regressei, incompleta daquilo que desejava e não soube alcançar.

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